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Notícias 11 Ago 2020 Gaia promove literacia mediática na comunidade sénior Objetivo é sensibilizar a sociedade para as problemáticas da infoexclusão e da desinformação
A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia pretende garantir a transição e a segurança digitais da população sénior do concelho, um dos grupos mais afetados pela infoexclusão e pela iliteracia digital e mediática. Com a migração dos meios de comunicação para as plataformas digitais, muitos indivíduos ficaram excluídos, sobretudo aqueles que não dominam o mundo digital, na sua maioria cidadãos envelhecidos e isolados socialmente. São vários os estudos que demonstram que este grupo é o mais vulnerável à desinformação, à informação descontextualizada e ao fenómeno das fake news, sendo também quem tem maior tendência para partilhá-las. 

O objetivo da autarquia é sensibilizar esta população para a problemática associada à desinformação e disseminar os meios e ferramentas que os seniores têm ao seu alcance para a combater, mostrando que a Internet, os media digitais e as redes sociais podem contribuir para a melhoria da sua qualidade de vida, bem como promover a coesão social e o envolvimento na sociedade através de uma participação mais ativa.

A «Academia MediaVeritas», um projeto da APImprensa – Associação Portuguesa de Imprensa com o apoio da Câmara Municipal de Gaia, é uma das iniciativas de inovação social destinadas à promoção da literacia mediática na comunidade sénior do Município. Este projeto, cuja candidatura ao Programa Parcerias para o Impacto da Portugal Inovação Social foi agora aprovada, vai contar com um investimento global de 250 mil euros, dos quais 75 mil comparticipados pela autarquia.

No âmbito desta iniciativa, serão dinamizados cerca de cinquenta grupos de intervenção, compostos por uma média de 15 seniores e adultos com mais de 55 anos, com o objetivo de capacitar este público alvo para aceder, analisar, avaliar, produzir e agir sobre os mais variados conteúdos informativos. A metodologia da «Academia MediaVeritas» foi inspirada na forma de trabalho dos media, na forma como as redações editoriais se organizam e analisam, avaliam e agem sobre a informação. O objetivo é envolver ativamente os intervenientes nestas tarefas em sessões semanais, ao longo de dois meses, sempre acompanhados por jornalistas num ambiente imersivo que simula uma redação.

A «Academia MediaVeritas» pretende, também, envolver as comunidades mais jovens, em particular os estudantes universitários, integrando-os como voluntários e contribuindo para a sustentabilidade desta ação no médio-longo prazo. No final, será feita uma avaliação da experiência, em conjunto com a Fraunhofer Portugal, um centro de investigação de referência, especializado nas áreas de interação com os seniores. Serão também organizados debates abertos ao público em geral, em estreita colaboração com o Município, para os quais serão convidados diversos especialistas nacionais e internacionais na temática da literacia mediática e verificação de factos. 

«Vozes de Gaia» é o outro projeto de literacia digital e para os media apoiado pela autarquia. A Fundação Inatel e o jornal Público apresentaram a candidatura à iniciativa Portugal Inovação Social, tendo a mesma sido aprovada com um investimento total a rondar os quinhentos mil euros, 150 mil financiados pela Câmara de Gaia enquanto investidor social.

O projeto «Vozes de Gaia» pretende, igualmente, solucionar o problema de iliteracia digital e mediática que leva a que os consumidores seniores, incapazes de destrinçar a qualidade e a veracidade da informação que recebem, fiquem à mercê de interesses políticos, financeiros e ideológicos. Dirige-se aos maiores de 55 anos, que irão transformar-se em cidadãos jornalistas, inseridos numa redação comunitária no centro de Gaia, onde desenvolverão competências e ferramentas para exercer a sua cidadania em pleno. Ao todo, serão 360 destinatários, sempre acompanhados por jornalistas profissionais que os irão orientar na recolha, produção e edição de conteúdos de imprensa e rádio, com a fotografia, a redação de textos, a produção e animação de podcasts e os conteúdos radiofónicos como principais atividades. Ao longo da sua integração na redação comunitária, os seniores terão a oportunidade de contactar com os mais jovens, cuja participação será fomentada de forma a contribuir para a intergeracionalidade.

Destas atividades resultarão um jornal impresso, um jornal digital, conteúdos de informação atualizados num site e conteúdos de rádio, bem como podcasts. Cada grupo de cidadãos jornalistas participará, ainda, num exercício de team building, com o objetivo de os levar a sair da sua zona de residência, contactar com outras comunidades, trabalhar em equipa e ser sensibilizados para temáticas de envelhecimento ativo. Estas saídas serão ainda o mote para divulgar o projeto noutras zonas do país. O objetivo é que, no final, se registe um aumento da cidadania ativa e participação cívica deste grupo etário, assim como a diminuição do impacto do isolamento e da exclusão social.