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Compreendi

Gastronomia

O Sável



O Sável é um peixe oriundo das nossas costas marítimas e que só desovam em Março, Abril e Maio em águas doces.
Descem os rios nas primeiras águas de inverno. Esta espécie pode atingir meio metro de comprido e, destes elementos, podem dar testemunho os pescadores de Valbom e todos aqueles que, desta localidade até à foz do rio Douro, conseguiam encher seus barcos com diferentes pescarias em determinadas épocas do ano (Março, Abril e Maio) que se podiam apanhar no leito do rio em cardumes de sável, lampreia e solha.
As características do sável identificam-se por ser de corpo grande, alto e comprido lateralmente, coberto de escamas grandes e arredondadas, com muitas estrias finíssimas, cabeça curta e alta, triangular muito comprida.
Boca fendida obliquamente, maxilar superior com um pequeno sulco, dentes quase impercetíveis nas espécies mais adultas. Olhos pequenos e colocados muito anteriormente com íris dourada e cercada de negro. Tem barbatanas dorsal e caudal e é uma espécie vulgar em todo o país, sobretudo do Minho ao Tejo.
Os rios mais abundantes onde se podia pescar o sável eram o Minho, o Lima, o Cávado, o Douro, o Vouga, o Mondego e o Tejo.
A captura deste peixe fazia-se com rede e proporciona ementas gastronómicas muito saborosas. Quem não gosta de Sável de escabeche, Sável Frito à Padre Elias, Sável dos pescadores e ovas de sável, quem nos dá conta destas iguarias é Alfredo Saramago no seu livro Cozinha do Minho.
Dr. Abel Barros | Diretor da Biblioteca Municipal de Gai
Broa de Avintes
 


São os padeiros (as) heróis de uma história que já remonta há séculos.
- Eu, D. Dinis, que vivi entre 1261 e 1324 decreto:
"Como são frequentes os incêndios na cidade do Porto e muitos deles acontecem em padarias, estas devem afastar-se da cidade, de modo a reduzi-los.
Devem passar para a outra margem, para Avintes, já que os padeiros, que utilizam o milho como principal produto, mandam-no moer junto ao Rio Febros (afluente do Douro) pois aí se situam grande número de moinhos de milho.”

Foi cumprida a ordem e a partir daí surgiu a Broa de Avintes.

Pão de mistura de farinha de milho e de centeio, de cor escura, com a particularidade de ser um pouco húmida, quase sem côdea e com gosto muito característico. Tem o formato de um cilindro convexo na parte superior. À saída do forno é coberta por fina camada de farinha.
Em 12 de Dezembro de 1821 se diz – "…pão santo e bendito, símbolo da paz, pioneiro da alegria, apóstolo do amor, criador e fomentador de civilizações”.

A verdadeira Broa de Avintes conserva-se muito bem durante vários dias, sendo esta uma das suas principais características, para além do sabor muito especial. O sabor pode ter várias cambiantes, que lhe são dadas por cada fabricante. Segredos que cada um mantém e que se tem transmitido ao longo de várias gerações.

Passados 700 anos, a tradição mantém-se.   
   
Os padeiros e as padarias de Avintes constituem um ex-libris, são seiva de uma indústria artesanal secular, que devemos manter, preservar e divulgar.
Os padeiros e as padarias de Avintes vão continuar a ser uns heróis.
Paulo Sá Machado | Borunário Mor/ Presidente da Confraria da Broa de Avintes

Vinho do Porto



O Vinho do Porto pode ser envelhecido nas caves de Vila Nova de Gaia ou no Douro. O envelhecimento é orientado de forma diferente, consoante o tipo de vinho pretendido. Surgem vinhos com perfis marcadamente distintos - Branco, Ruby, Tawny e Rosé - mas todos com as marcas características do Vinho do Porto: um aroma rico e intenso, um travo prolongado e macio e um teor elevado de álcool.
Apesar de ser muitas vezes consumido em ocasiões especiais, não há razão para fazer cerimónia ao beber Vinho do Porto. Deve beber-se sempre que houver vontade. Provar os sabores e aromas e descobrir as muitas e diferentes formas de o desfrutar. A essência do Vinho do Porto reside nos bons momentos – uma boa refeição, um bom vinho, uma boa companhia… Uma enorme diversidade de tipos, conferem-lhe a singularidade de se adaptar a todas as ocasiões.
Instituto dos Vinhos do Douro e Porto

Pão doce de romaria – "Velhotes”
 


Os velhotes remontam aos finais do século XIX e tiveram a sua origem em Valadares, trazidos por uma família de Braga e chegaram aos nossos dias. É um dos nossos patrimónios, este pão doce incontornável da gastronomia gaiense.
Este pão doce, típico e oriundo de Valadares, esteve sempre ligado às festas da freguesia não podendo delas estar dissociado, com um nome que desperta a curiosidade de muita gente, mas que não existe explicação para a sua designação. A que fazemos é pura ficção.
Durante décadas, este pão doce era exclusivamente vendido, uma vez por ano e num único local, por altura das Festas em honra de Nosso Senhor dos Aflitos, numa padaria contígua à Igreja de Valadares.
Era e ainda é tradição de algumas gerações, que todos os anos afluíam a Valadares para visitarem a igreja excelsamente ornamentada e depois em longa fila, antes de rumarem a suas casas, aguardarem a sua vez, para adquirirem uma ou mais pastas de velhotes.
Levavam-nos quentinhos para os degustarem nas suas casas, os de fora e também os valadarenses.
Um doce com um sabor caraterístico e inigualável, conferido pelos seus ingredientes, vendido em pás ou pastas, as quais contém cada uma, quatro Velhotes, os quais devem ser "destacados” à mão e saboreados com um cálice de vinho do Porto ou uma qualquer bebida quente. Não é um doce considerado de sobremesa, mas pode bem ser o complemento duma refeição, particularmente ao pequeno-almoço e/ou ao fim da tarde ou da noite, como muitos preferem.
No princípio deste século em que vivemos, em boa hora surgiu em Valadares, a Confraria Gastronómica dos Velhotes, cuja missão, entre outras, é a de preservar, promover e divulgar este produto de excelência do Concelho.
Assim, hoje, os Velhotes já perderam a sazonalidade, mercê da sua fama e do surgimento desta Confraria, com vantagens e inconvenientes associados.
Com efeito, os Velhotes nos dias que correm, vendem-se quase todos os dias, em especial aos fins de semana, em muitos locais de Valadares e noutras freguesias, nomeadamente Madalena, Vilar do Paraíso, Serzedo e ainda em Avintes, cuja freguesia, também tem um historial sobre este doce, embora a sua confeção, seja diferente, particularmente na forma como são apresentados à venda.
A Confraria não vê inconveniente neste alastramento ao concelho, bem pelo contrário, desde que seja preservada a qualidade.
Armindo Costa | Chanceler da Confraria Gastronómica dos Velhotes