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Somos Todos Ucrânia
Notícias e Destaques 07 Mar 2022 «Somos Todos Ucrânia» Gaia, Matosinhos e Porto unem-se para dar resposta integrada
 
 
 
Gaia, Matosinhos e Porto decidiram unir esforços, através da campanha «Somos Todos Ucrânia», para dar uma resposta concertada e de grande escala à crise de novos refugiados que a invasão da Ucrânia pela Rússia está a desencadear. É urgente uma resposta integrada que permita congregar todo o apoio ao povo ucraniano. Assim, os municípios da Frente Atlântica juntaram-se numa resposta humanitária que procura, acima de tudo, organizar todas as manifestações de apoio, em particular na oferta de bens, serviços, emprego e acolhimento.

A iniciativa foi apresentada no Porto, a 6 de março, numa cerimónia onde foram assinados protocolos entre as três autarquias e a Ordem dos Psicólogos – para a "disponibilização das condições para a implementação de uma resposta de literacia em saúde psicológica e bem-estar no âmbito de processos de paz” - e com o Conselho Regional do Porto da Ordem dos Advogados, para a prestação de serviços e aconselhamento jurídico.

A cônsul chefe da Ucrânia no Porto aproveitou a ocasião para apelar às autoridades internacionais para que "fechem o céu sobre a Ucrânia” face aos "bombardeamentos brutais” a alvos civis e militares de que várias cidades estão a ser alvo. "Vamos proteger a nossa terra […], o povo ucraniano está a morrer pela sua liberdade e a da Europa. Estamos a lutar pela civilização e apelamos à comunidade internacional para fechar o céu sobre a Ucrânia. Disso depende o futuro da Ucrânia e do mundo”, sublinhou Alina Ponomarenko, que agradeceu a ajuda que está a ser fornecida pelas instituições portuguesas. 

O presidente da Câmara Municipal de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, destacou, a propósito da campanha «Somos Todos Ucrânia»,  que "num tempo em que individualismo prevalece, em que cada um tenta fazer por si o que devia fazer em cooperação, o que entendemos é que valeria a pena juntar esforços, articular medidas, reconhecendo que o que temos pela frente vai ser um tempo longo”, referiu, no discurso de apresentação da campanha "Somos todos Ucrânia”, o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor.

Já Luísa Salgueiro, presidente da Câmara de Matosinhos, considerou que a iniciativa "junta aquilo que cada um pode fazer de melhor” e é um exemplo de como é possível, através do exercício político, "fazer o bem a quem mais precisa”. Por fim, o presidente da autarquia do Porto, Rui Moreira, declarou que esta campanha representa a afirmação do "humanismo e da solidariedade”, de "repúdio à barbárie e à soberba”, que "celebra a civilização”.

«Somos Todos Ucrânia» – em que consiste

Como forma de corporizar e organizar esta convergência de vontades, foi lançado o portal www.somostodosucrania.pt e a linha de apoio com o n.º 222 090 420, disponível todos os dias das 9 h às 19 horas, com atendimento qualificado, que vai centralizar as manifestações de solidariedade para com o povo ucraniano, em coordenação com as entidades governamentais e oficiais envolvidas na resposta a esta crise. 

A campanha «Somos Todos Ucrânia» foi, assim, desenvolvida a quatro níveis de atuação: a recolha de bens, que foram pedidos pelo Consulado da Ucrânia no Porto e que serão entregues na fronteira da Ucrânia com a Polónia; a agregação das ofertas de alojamento e disponibilidade para acolhimento; a criação de uma bolsa de emprego onde, com o apoio de dezenas de associações que representam os profissionais de vários setores da atividade, serão reunidas as ofertas de emprego; e a criação de uma bolsa de serviços nas variadas áreas para ajuda a uma melhor integração no nosso país.


Recolha de bens 

A extensão do apoio foi determinada em parceria com as necessidades apontadas pelo Seminário Cristo Rei, em Vila Nova de Gaia, que, desde 26 de fevereiro, e em parceria com a Associação dos Ucranianos em Portugal, tem em curso uma campanha de recolha de bens essenciais, que já resultou no envio de quatro camiões para a fronteira. Esta resposta humanitária está a ser desenvolvida em cooperação com o Consulado da Ucrânia no Porto.

Os próprios municípios estão a promover a recolha de bens essenciais, em articulação com as juntas e uniões de freguesias como pontos de entrega, que serão, de forma contínua, transportados, através da Rangel Logistics Solutions, para o destino, que será a fronteira da Polónia com a Ucrânia (ver abaixo a lista de pontos de recolha em Gaia).


Acolhimento de famílias

As ofertas de alojamento e disponibilidade para acolhimento podem ser manifestadas, preferencialmente, através do formulário disponibilizado no portal, ou através da linha de apoio, numa resposta que está a ser coordenada com o Alto Comissariado para as Migrações, sendo que as ofertas serão encaminhadas para esta entidade. Também o Centro Nacional de Apoio ao Migrante Norte manifestou disponibilidade para apoiar a este nível e receber ofertas de serviços gratuitos que sejam disponibilizados, tais como de restauração, enfermagem, tradução, assistência médica, psicológica, entre outros. 



Bolsa de emprego

As ofertas de emprego destinadas a cidadãos ucranianos que venham a ser acolhidos serão encaminhadas para o Instituto de Emprego e Formação Profissional – IEFP, estando prevista, em breve, a assinatura de um protocolo com esta entidade.

A campanha «Somos Todos Ucrânia» encontra-se já em articulação com associações de diversos setores de atividade, que manifestaram o seu apoio, entre as quais a Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT), a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), a Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS), a Associação dos Comerciantes do Porto e a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), podendo outras associações vir a associar-se à iniciativa.


Bolsa de serviços

Neste quarto vetor da campanha, são aceites voluntários dos mais diversos quadrantes profissionais. Médicos, advogados, psicólogos, tradutores, cabeleireiros, motoristas ou profissionais de outros setores podem inscrever-se na bolsa de serviços criada para oferecer uma oportunidade de emprego aos refugiados ucranianos. 

Nesta fase, Porto, Gaia e Matosinhos estabeleceram um protocolo com a Ordem dos Psicólogos Portugueses para a disponibilização de uma resposta na área da promoção da literacia em saúde psicológica e bem-estar das populações, com o objetivo de apoiá-las a lidar com as questões que a mesma suscita.

Outras medidas em curso

A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia está a trabalhar com as escolas, no sentido de encontrar vagas para crianças refugiadas, e a elaborar um programa especial que incluirá o ensino da língua portuguesa. 

Desde o final de fevereiro, a autarquia disponibiliza o hostel do Parque Biológico de Gaia, com capacidade para cerca de 50 pessoas, para acolhimento das famílias ucranianas que cheguem ao concelho nos próximos tempos. O alojamento será articulado com o Consulado da Ucrânia e com o Alto Comissariado para as Migrações. 

Paralelamente, através das respostas sociais do Município e com o estreito apoio da rede social, será prestado todo o apoio educativo, alimentar e psicossocial às famílias e crianças deslocadas. Além disso, o Município de Vila Nova de Gaia, através do pelouro da Juventude, está a organizar uma recolha de bens essenciais nas escolas do concelho.

Foram, ainda, disponibilizados dois armazéns – um no Parque Empresarial de Laborim, outro nas antigas instalações dos CTT nas Devesas – para depósito dos bens recolhidos nas campanhas de solidariedade. Em Laborim, cerca de 20 operacionais da Polícia Municipal estão a dar apoio à organização do material doado.

A Saúde Pública municipal disponibilizou, também, uma equipa de voluntários que está a prestar apoio na seleção, triagem, acondicionamento e preparação dos donativos de material médico e cirúrgico.

No Município do Porto, caso venha a ser necessário, está equacionada a disponibilização de refeições em regime de take-away aos voluntários, junto dos centros logísticos de recolha.

Ao nível do acolhimento das famílias, serão equacionadas soluções para a integração de crianças e jovens refugiados nos jardins-de-infância e nas escolas de primeiro ciclo, a identificar.

De igual modo, a Câmara Municipal do Porto vai disponibilizar ao Ministério da Administração Interna os meios municipais de Proteção Civil e a sua experiência em apoio humanitário em cenários de catástrofe e de guerra, para fazerem parte de eventuais respostas integradas na área psicossocial, logística e de transporte. 

Além destes apoios, a autarquia portuense irá facultar meios e respostas de apoio ao Seminário Redentorista Cristo Rei que, em parceria com a Associação dos Ucranianos em Portugal e, em estreita cooperação com o Consulado da Ucrânia no Porto, prontificou-se à cedência de 105 camas para acolhimento de refugiados. 

A Câmara Municipal de Matosinhos tem já 24 camas disponíveis no Centro de Apoio à Comunidade, em Leça da Palmeira. 

No site institucional do município foi disponibilizado um formulário para que os ucranianos residentes em Matosinhos possam identificar familiares que se encontrem nos países de fronteira, no sentido de que possa ser articulada uma resposta de transporte.