A comunidade de Sandim, no concelho de Vila Nova de Gaia, celebrou hoje a festividade em honra de São Brás, numa missa solene realizada na capela do mosteiro, que contou com a presença do Bispo do Porto, D. Manuel Linda, da vereadora da Câmara Municipal de Gaia, Carla Costa, e do presidente da Junta de Freguesia de Sandim, Fernando Constantino Ramos.
A celebração reuniu fiéis da localidade e de zonas vizinhas, num momento de devoção dedicado a São Brás, conhecido como protetor da garganta, dos otorrinolaringologistas e das atividades agrícolas. Durante a Eucaristia, foi evocada a vida e o testemunho do santo, de quem existem poucas informações históricas, sendo certa a sua fé inabalável em Cristo, mantida até à morte por decapitação, após cruéis torturas.
Segundo a tradição, São Brás era natural de Sebaste, na Arménia, onde se dedicou ao estudo da Medicina. Mais tarde, ao tornar-se bispo, colocou-se ao serviço do povo, cuidando do corpo e do espírito dos fiéis, sendo-lhe atribuídas várias curas milagrosas. Perante as perseguições aos cristãos, motivadas pelos conflitos entre os imperadores Licínio e Constantino, refugiou-se numa caverna no Monte Argeu, onde viveu em oração e solidão, continuando a orientar a sua Igreja à distância.
Entre os episódios mais marcantes da sua vida destaca-se o milagre da garganta, quando, a caminho do julgamento, salvou uma criança que se sufocava com um espinho de peixe preso na garganta, após a sua bênção. Este milagre está na origem do rito litúrgico que se celebra a 3 de fevereiro, com a bênção das gargantas dos fiéis com duas velas cruzadas.
No final da celebração, D. Manuel Linda deixou uma reflexão atual, fazendo referência à ansiedade e aos "nós na garganta” que marcam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje, sublinhando a importância de cultivar a serenidade e de manter sempre um sorriso.
A festividade ficou ainda marcada pela atuação da Banda de S. Tiago de Lobão, que acompanhou a procissão realizada no final da missa. O momento contou também com o tradicional convívio popular, com tendas onde eram servidos enchidos, frutos secos, pão, regueifas, farturas e outros doces, reunindo a comunidade local num ambiente de festa e partilha.