O Parque Biológico de Gaia assumiu um papel central numa das mais exigentes e raras operações de conservação da natureza em Portugal, iniciada em 2022 com o propósito de reforçar a população de águia-real nos céus nacionais.
Nesse mesmo ano, a instituição acolheu um casal desta espécie classificada como "Em Perigo”, com o ambicioso e complexo objetivo de viabilizar a reprodução em cativeiro e gerar crias capazes de vingar em estado selvagem. Numa altura em que o censo de 2022 apontava para a existência de apenas 65 casais reprodutores em todo o país, cada nascimento constitui um marco fundamental para a preservação da espécie.
O rigor técnico da equipa do Parque Biológico traduziu-se no nascimento bem-sucedido de duas crias a 8 de junho. O destino escolhido para a sua reintrodução foi o Parque Nacional da Peneda-Gerês, região onde a espécie chegou a estar extinta.
Para assegurar uma transição bem-sucedida, as jovens águias encontram-se instaladas numa jaula de aclimatação, onde permanecem durante 15 dias para adquirir plena capacidade de voo. Após a abertura da estrutura, as aves iniciarão o voo em liberdade, sendo rigorosamente monitorizadas por emissores que permitirão acompanhar a sua adaptação, integração e eventual fixação no território.
Com esta iniciativa, o Parque Biológico de Gaia reafirma o
compromisso da gestão pública com a proteção da biodiversidade, colocando o
conhecimento técnico e científico ao serviço do futuro e da preservação da vida
selvagem no país.