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arta regressa à natureza após recuperação no Parque Biológico de Gaia
Notícias e Destaques 05 Ago 2026 Marta regressa à natureza após recuperação no Parque Biológico de Gaia Exemplar de espécie vulnerável foi encontrado no Porto
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Centro de Recuperação de Fauna do Parque Biológico de Gaia (CRF-PBG) recuperou e devolveu à natureza um exemplar de marta (Martes martes), uma espécie autóctone classificada como Vulnerável em Portugal, após uma ocorrência invulgar em plena cidade do Porto.

O animal, um macho adulto, deu entrada no CRF-PBG no passado dia 19 de junho, encaminhado pelo Centro de Recolha Oficial de Animais do Porto (CROA), depois de ter sido capturado numa zona residencial próxima do Parque do Covelo.

Face ao caráter excecional deste registo, foi desencadeado um trabalho conjunto entre o CRF-PBG, o CROA, investigadores do BIOPOLIS-CIBIO, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e da Universidade de Lisboa, com o objetivo de determinar a origem do exemplar e definir a solução mais adequada para a sua devolução à natureza.

A marta é um pequeno carnívoro da família dos mustelídeos, que inclui também espécies como a lontra, o texugo e a doninha. Em Portugal, trata-se de uma espécie pouco conhecida e considerada vulnerável, ocorrendo sobretudo no extremo norte do país, em áreas de floresta nativa bem conservadas, como o Parque Nacional da Peneda-Gerês e o Parque Natural de Montesinho.

Durante o período de quarentena, foram recolhidas amostras de sangue para análise genética. Os resultados confirmaram que o animal era autóctone e apresentava uma forte afinidade genética com a população do Noroeste Ibérico, afastando a hipótese de se tratar de um exemplar proveniente de cativeiro. A monitorização comportamental permitiu igualmente confirmar que mantinha um comportamento tipicamente selvagem, demonstrando um acentuado receio da presença humana.

Perante estes resultados, os especialistas equacionaram duas hipóteses para explicar a presença da marta em contexto urbano. A primeira, considerada menos provável, apontava para uma dispersão natural, tendo em conta a distância de cerca de 80 quilómetros às populações conhecidas e a reduzida continuidade de habitat favorável. A segunda, considerada mais plausível, sugeria que o animal teria sido transportado, de forma ilegal ou involuntária, desde a região da Peneda-Gerês até à cidade do Porto.

Com base nesta avaliação, foi decidida a sua libertação num local ecologicamente adequado. A devolução ao habitat natural ocorreu no dia 30 de julho, numa área de bosque autóctone nas imediações da Serra da Abadia, integrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A ação contou com a participação das várias entidades envolvidas neste processo, refletindo a importância da cooperação científica e institucional na conservação da fauna selvagem. O Município de Gaia destaca igualmente o papel determinante do Centro de Recolha Oficial de Animais do Porto, responsável pela captura e encaminhamento do exemplar, tornando possível a sua recuperação e o regresso à natureza.