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Notícias 18 Nov 2020 «Gaia Somos Todos»: mobilidade no centro das questões Transportes públicos e acessibilidades foram assuntos abordados
Cada vez mais, é inequívoca a importância que os transportes públicos assumem no dia a dia das populações, facilitando a mobilidade, racionalizando recursos e despoluindo as cidades. Em Gaia, está a ser desenhada uma cidade inteligente e sustentável e, para isso, é preciso agir já e mudar mentalidades. A Câmara Municipal de Gaia tem dedicado, por isso, uma atenção muito especial à mobilidade nas mais variadas áreas do concelho, na perspetiva de continuar a delinear uma realidade mais uniforme e integrada. Neste sentido, a autarquia deu início, a 18 de novembro, a um ciclo de oito sessões temáticas («Gaia Somos Todos»), onde serão abordados dez temas prioritários de atuação. O objetivo é partilhar com os munícipes os principais desafios do futuro, envolvendo-os nos caminhos a trilhar.

"A pandemia não nos distancia e por isso estamos aqui. Suprindo o modelo das presidências abertas, acreditamos que este novo modelo nos aproxima das pessoas. Selecionamos oito temas para discutir a cidade. São desafios que queremos resolver, do ponto de vista dos nossos modelos de desenvolvimento e a partir de um envolvimento conseguido através da tecnologia, mas também através das redes tradicionais uma vez que os cidadãos receberam em casa um folheto com uma explicação das sessões e pedido de contributos”, começou por explicar Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia. 

Valorização dos transportes públicos (fazendo-o funcionar em rede em todo o concelho), pedonalização de algumas zonas da cidade, mais valias do passe único, criação de novos espaços públicos e melhoria dos existentes, alteração dos padrões de sociabilidade. Estas foram algumas das questões abordadas ao longo desta sessão. "Há muito para mudar, seja numa escala micro como macro. Estamos aqui para discutir estes problemas à nossa escala”, partilhou o autarca. 

A seu lado, Eduardo Vítor Rodrigues contou com Sara Lobão, administradora delegada do TIP – Transportes Intermodais do Porto, que começou por partilhar algumas das principais vantagens associadas ao atual concurso para a concessão dos transportes públicos, nomeadamente: melhoria da conetividade da rede, das condições dos transportes públicos para os passageiros, da qualidade do material circulante, da informação disponibilizada ao público e simplificação do sistema tarifário andante, permitindo, ainda, minimizar os impactos ambientais através da redução dos gases poluentes. Sara Lobão evidenciou, também, o expressivo aumento na adesão ao transporte público, na ordem dos 28%, desde abril de 2019, com a implementação do PART (Programa de Apoio à Redução Tarifária). "Antes do PART, tínhamos 13 operadores, passamos a ter 20; tínhamos 225 linhas a operar, passamos a ter 599”, disse Sara Lobão. Apesar de tudo, na Área Metropolitana do Porto, o transporte preferencial é o transporte individual, sendo que o transporte público representa cerca de 11%. "Temos de mudar este paradigma, dando às pessoas mais conforto, mais horário e um tarifário acessível”, garantiu. Para o futuro, "queremos o alargamento do andante e estamos, neste momento, em negociações com a CIM do Tâmega e Sousa e esperemos dentro de dias fechar totalmente o processo. Vamos criar um tarifário no âmbito do PART. Será um título combinado Tâmega e Sousa que vai permitir a qualquer pessoa poder fazer a viagem, seja de Arouca até Amarante, ou Gaia até Paços de Ferreira, pelo valor de 50 euros”. Desmaterialização e facilitação do acesso às assinaturas são outros desafios. 


Pela voz do público

Vasco Guedes, de 19 anos, teve este ano acesso ao passe gratuito para estudantes do ensino superior, uma medida lançada pela Câmara Municipal de Gaia. "Esta medida, embora seja um encargo para os contribuintes, é concreta e vai melhorar a vida dos estudantes”, afirmou Vasco, lançando uma questão sobre outro assunto: "a marginal de Canidelo e da Madalena têm experienciado um boom de construção, mas sem melhorias das infraestruturas envolventes. Há alguma novidade?”

"O que o Vasco disse é muito verdade. Gulpilhares, Valadares, Madalena são zonas que têm tido uma pressão urbanística muito forte que não tem correspondido a atravessamentos que permitam fluidez de trânsito, basta olhar para a rua da Bélgica, ou para os acessos da A29 a Gulpilhares ou Valadares para se perceber as dificuldades que existem. Há dois caminhos que temos de percorrer. O primeiro estamos a percorre-lo, sensibilizando as comunidades para o facto de não poder ser possível levar o metro a todo o lado, mas é possível fazer coabitar o metro com o transporte público rodoviário e, ao mesmo tempo, com uma nova modalidade de transporte público, que é muitas vezes até designado como BRT que é o metrobus que já está a ter em Gaia o arranque para a sua primeira experiência em toda a AMP. Além disso, para ajudar o transporte público para grupos mais específicos como os mais idosos, criamos uma experiência já com três aderentes (Grijó e Sermonde; Mafamude e Vilar do Paraíso e Pedroso e Seixezelo): o MOB+, carrinhas que permitem que os idosos façam deslocação ponto a ponto, de sua casa à farmácia, ao centro de saúde, ao centro da freguesia. Este tipo de transporte não é possível existir em grande escala, mas é possível ter respostas diferentes para respostas especificas”, explicou Eduardo Vítor Rodrigues. 

Joana Santos vive em Olival, e levantou algumas questões, nomeadamente ao nível das necessidades mais locais da população, que sente algumas limitações no acesso ao centro da cidade. "Olival só é interior se olharmos para a freguesia da malha urbana porque do ponto de vista dos grandes atravessamentos, a CREP centralizar muito aquilo que era o nosso interior do concelho. Isso tem ajudado a criar as condições para o surgimento de uma nova e moderna zona industrial que capte empresas, investimento e criação de emprego. Uma das formas de atenuar os problemas de transportes é garantir que as pessoas tenham mais proximidade entre a sua casa e o emprego, e a zona industrial de Sandim tem um potencial extraordinário para garantir que temos boas oportunidades para compatibilizar a residência e o emprego. Uma das tendências do futuro será uma maior proximidade e menor pendularidade em tempo e distância entre casa e o emprego”, explicou Eduardo Vítor Rodrigues, acrescentando: "o que a Joana levanta não é apenas um contributo mas uma exigência que temos de generalizar a todo o concelho”, referindo-se ao facto de existirem muitas paragens de autocarros sem informação e sem o mínimo de condições. 

A próxima sessão realizar-se-á a 20 de novembro, a partir das 17 horas, com transmissão em direto através do Facebook e do site da Câmara Municipal de Gaia. A sessão será dedicada à ‘Ação Social e Habitação’.