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28 Nov 2025
Diálogos sobre envelhecimento ativo juntam comunidade e especialistas
Inserido no Plano de Ação das Comunidades Desfavorecidas no âmbito do PRR
O auditório do Parque Biológico de Gaia acolheu, no dia 26 de novembro, o Fórum Sénior – Gaia 65+ | Diálogos para um Envelhecimento Ativo, uma iniciativa da Câmara Municipal inserida no âmbito do Conselho Sénior Municipal. Este fórum pretendeu ser um espaço de reflexão, partilha de testemunhos e diálogo, com o objetivo de reforçar redes sociais, valorizar o papel das pessoas mais velhas e fomentar a participação ativa dos seniores na comunidade local.
A abertura da iniciativa ficou a cargo de Elizabete Silva, vereadora da Câmara Municipal de Gaia com o pelouro dos Assuntos Sociais. Para a autarca, é fundamental promover a participação ativa dos cidadãos na vida do Município. Um dos grandes objetivos do Conselho Sénior Municipal é precisamente envolver as pessoas mais velhas nas decisões que influenciam o território. Este conselho é entendido como um movimento de participação, uma verdadeira comunidade de ideias, onde todas as pessoas têm espaço para contribuir.
O fórum contou com intervenções de especialistas nas áreas de gerontologia e psicogerontologia, entre os quais Isabel Viana (Instituto de Educação da Universidade do Minho), Sara Guerra (gerontóloga da Universidade de Aveiro) e Susana Sousa (psicóloga clínica e professora no ICBAS).
Segundo Sara Guerra, envelhecer bem é muito mais do que manter o corpo saudável: é manter laços. As chamadas Zonas Azuis — regiões do planeta onde as pessoas vivem significativamente mais tempo — ilustram bem esta ideia. Nesses locais, é comum encontrar pessoas com 100 anos que ainda conduzem, fazem as tarefas da casa e participam ativamente no quotidiano. Um dos segredos dessa longevidade é a existência de vínculos sociais muito fortes. Os habitantes destas zonas vivem muitas vezes perto dos filhos e netos e desempenham papéis ativos na comunidade. Estes laços emocionais reforçam comportamentos saudáveis e contribuem de forma decisiva para um envelhecimento mais pleno e equilibrado.
Para Susana Sousa, o envelhecimento da população coloca desafios que exigem uma resposta eficaz e integrada. Para tal, é fundamental apoiar-se nos pilares do envelhecimento ativo, que incluem: saúde e bem-estar; autonomia e vida independente; desenvolvimento e aprendizagem ao longo da vida; vida laboral saudável ao longo de todo o ciclo de vida; rendimentos adequados e sustentabilidade económica no envelhecimento; e participação ativa na sociedade. A especialista destaca ainda que a estimulação cognitiva é tão importante quanto a atividade física. "Tal como os músculos, que se atrofiam quando não são exercitados, o cérebro também necessita de estímulos constantes. Sem essa estimulação, vamos perdendo gradualmente diversas funções cognitivas”, afirmou.
De acordo com Isabel Viana, vivemos um período marcado por um isolamento crescente, o que torna ainda mais necessária uma cidadania plena e a construção ativa de comunidade. Para isso, é essencial que as pessoas se sentam seguras, e é aqui que o poder local desempenha um papel fundamental. Para a responsável, uma verdadeira comunidade constrói-se quando todas as pessoas têm voz, participação e propósito, contribuindo para um espaço coletivo mais forte e coeso.
Além das palestras, o programa incluiu momentos de debate e testemunhos que abordaram temas como os desafios e oportunidades do envelhecimento ativo e a participação social dos mais velhos. Também foram apresentadas as propostas do Conselho Sénior Municipal, nomeadamente os Laboratórios Sociais, cujas sessões foram dinamizadas visando não apenas a discussão política, mas também a promoção do envelhecimento ativo, da cidadania e do bem-estar por meio de vivências práticas.
O fórum integrou o Plano de Ação das Comunidades Desfavorecidas, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), sublinhando o compromisso da autarquia com a criação de políticas que promovam o envelhecimento digno, a inclusão social e a qualidade de vida da população sénior.