O Auditório Manuel Menezes de Figueiredo recebeu, a 14 de novembro, um seminário que procurou promover a reflexão e o debate sobre as problemáticas associadas à Síndrome de Diógenes. Com o tema «Para além da porta fechada: da sinalização à intervenção multidisciplinar», o encontro reuniu técnicos e profissionais de diferentes áreas, como psiquiatria, psicologia, serviço social, direito, saúde pública, entre outras. Ao longo do dia, pretendeu-se promover uma abordagem integrada e ética na identificação e intervenção junto de pessoas afetadas por esta condição. De salientar que a Síndrome de Diógenes é um transtorno caracterizado por acumulação excessiva de objetos ou lixo, negligência da higiene pessoal e do ambiente, e isolamento social, geralmente em pessoas idosas, podendo levar a problemas de saúde graves. É tratada com apoio psicológico, social e médico.
Para Elizabete Silva, vereadora da Câmara Municipal de Gaia com o pelouro da ação social, este é um tema "que passa despercebido, mas que representa um desafio para toda a comunidade (…) havendo, cada vez mais, uma necessidade de intervir de forma eficiente”. Para a vereadora, este seminário é, por isso, "um ponto de partida e um momento para refletir e trocar experiências (…) a mudança acontece quando partilhamos o mesmo propósito”, referiu no seu discurso. A Síndrome de Diógenses foi referida como "uma realidade que está, muitas vezes, além das portas fechadas”, daí o nome do seminário. Tem tanto de silencioso como de desafiante e importante.
Ao longo do seminário, foram abordados temas como o perfil e diagnóstico da Síndrome de Diógenes, pela médica psiquiatra Iolanda Marques ou o papel do serviço social neste contexto, por Carla Carvalho. Iolanda Marques fez uma distinção clara entre Síndrome de Diógenes e a perturbação de acumulação, apresentando vários casos clínicos. Entre muitas ideias partilhadas, a psiquiatra acredita que é fundamental "a construção de uma relação com base na empatia, no apoio e na forma de lidar com a sensibilidade face às questões desafiadoras”. A comunicação é, por isso, a base deste problema.
Para Carla Carvalho, "o assistente social deve sempre saber ouvir”, procurando construir uma relação de confiança que pode levar meses. "A intervenção com pessoas com Síndrome de Diógenes exige um equilíbrio delicado entre o dever de proteger e o respeito pela autodeterminação”, referiu. Até onde podemos ir? Quando é legítimo intervir? Quando é que a nossa intervenção se torna invasão? São algumas das questões que devem ser colocadas.
Foram, de igual modo, abordados outros temas, como a intervenção psicológica, apresentada por Ana Rosa. Após o almoço, a advogada Maria João Gonçalves analisou os aspetos legais e éticos da intervenção, seguindo-se a reflexão da assistente social Maria Elisabete Ribeiro, da Unidade Local de Saúde Gaia-Espinho, sobre a relação entre saúde mental e perceção da realidade. A tarde continuou com a intervenção de Susana Carmo Silva, delegada de saúde também da ULSGE, que discutiu o papel da autoridade de saúde pública na resposta à Síndrome de Diógenes.
O dia encerrou com a apresentação de materiais de divulgação e uma sessão final conduzida pelas representantes da AEDL, entidade formadora, sublinhando a importância
da cooperação entre profissionais e entidades na construção de respostas eficazes e humanas para este desafio social e de saúde pública.
O seminário foi realizado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, no âmbito da operação «Mais Saúde», financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência, ao abrigo do Plano de Ação das Comunidades Desfavorecidas.