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Notícias 15 Dez 2020 Associações locais: os desafios que a pandemia trouxe Sessão contou com Paulo Rodrigues, presidente da Federação das Coletividades
Discutir as grandes questões que, hoje, se colocam ao Município de Gaia, num balanço daquilo que tem sido feito e numa projeção das perspetivas e linhas de atuação para o futuro. Este pode ser encarado como o alicerce que deu origem às sessões «Gaia Somos Todos», que a 15 de dezembro foi dedicada à temática «Associações locais e Desenvolvimento». "Hoje temos uma situação equilibrada que nos permite usar os recursos disponíveis no reforço da coesão social e na resposta aos desafios da pandemia”, começou por dizer Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia. E as associações locais não ficaram de fora. Pelo contrário. Na cultura, o município apoiou um conjunto de concertos online, sempre com artistas do concelho. Para as bandas filarmónicas, ranchos folclóricos e outros grupos que são compostos por um conjunto considerável de pessoas, o presidente deixou uma mensagem: "a Câmara definiu uma forma de compensação por via de um apoio financeiro que, sem a contrapartida da programação, é um meio de minimizar o impacto deste momento nos nossos parceiros do movimento associativo”.


A escolha do nome desta sessão não foi fruto do acaso. "Escolhemos o tema associações locais e desenvolvimento porque nos parece que não há desenvolvimento local sem as associações locais, ainda que também seja verdade que este seja o momento para repensar a forma como assumimos o associativismo como instrumento fundamental de desenvolvimento”, explicou o autarca. Em Gaia, existem hoje associações que se refizeram no seu objeto e que se adaptaram à nova realidade; outras, que já enfrentavam dificuldades no passado, lutam pela sobrevivência. "Mais do que fazer uma listagem dos apoios financeiros que temos dado ao longo dos anos, queremos mostrar que sempre tentamos materializar uma ideia que o Município assumiu de forma clara: quanto melhor estivermos no que respeita às contas certas, melhor isso se repercutirá na vida dos cidadãos (com a redução do IMI ou da fatura da água) e melhor estarão as instituições com as formas de apoio direto que fazemos”.

A Câmara tem assumido o apoio às instituições do ponto de vista infraestrutural, assumindo o interior do concelho como um dos principais focos. Mas também tem adotado outras formas de apoio às famílias: "quando o Município paga as inscrições de vinte atletas por modalidade e por escalão em cada uma das associações, está também a colaborar com as famílias e com os clubes”.

Para Eduardo Vítor Rodrigues, "o país precisa de dar um sinal ao seu movimento associativo e tem de fazer da cultura, do desporto e da ação social elementos centrais da vida das pessoas. É importante dizer aos cidadãos que estamos a planear o futuro, mas, ao mesmo tempo, temos medidas muito concretas para o presente”. O movimento associativo tem uma palavra crucial nesta realidade.

Paulo Rodrigues, presidente da direção da Federação de Coletividades de Vila Nova de Gaia, marcou presença nesta sessão, como porta-voz das associações do concelho, e começou por partilhar uma boa notícia com o público. "Foi publicada em Diário da República a declaração de utilidade pública da Federação das Coletividades de Gaia. Quero saudar e agradecer a todos os dirigentes que ao longo destes 22 anos serviram esta federação e recordar um dos seus fundadores: António Fundevila Moreira. Quero agradecer à Câmara de Gaia o contributo neste processo com a aprovação de um parecer favorável. Este é o culimar de um longo caminho e é o reconhecimento e valorização por parte do Governo e do Estado Português da Federação e do movimento associativo gaiense”.

As coletividades são também centros de educação e formação cívica. "Centenas de crianças e jovens têm a oportunidade de iniciar a sua formação nas associações da sua freguesia, seja na ginástica, karaté, judo, dança, entre outros”, começou por exemplificar Paulo Rodrigues que, na área cultural, destacou a pujança que o teatro e a formação musical assumem. "Temos 23 coletividades em que a principal atividade é o teatro. Somos um concelho de referência. É fantástico observar a evolução dos jovens atores de ano para ano aquando da participação da coletividade no Festeatro”. Também nas bandas filarmónicas e no folclore, Vila Nova de Gaia é um exemplo a nível nacional. É o concelho com maior número de grupos folclóricos membros efetivos da Federação do Folclore Português. No desporto, passa-se o mesmo. Do ténis de mesa, à canoagem ou ao basquetebol, entre muitas outras modalidades, dos vários escalões de formação femininos e masculinos, Gaia é um exemplo a seguir.

Paulo Rodrigues destacou ainda outra vertente fundamental. "No seio das nossas coletividades, o aspeto social está muito vincado, seja na ajuda aos mais desfavorecidos, na cedência das instalações para convívio dos mais idosos, para conversas entre amigos ou para um simples ombro que conforta nos momentos mais difíceis. Em suma, este é o enorme contributo que o movimento associativo dá ao desenvolvimento da nossa coletividade”, concluiu o responsável.

Relativamente à boa notícia deixada por Paulo Rodrigues, Eduardo Vítor Rodrigues vincou que o estatuto de utilidade pública "tem importância do ponto de vista fiscal, mas é um elemento de um grande simbolismo para o trabalho que tem sido feito pela federação. Só faz sentido ter uma federação das coletividades se o movimento perceber que tem de estar agrupado e organizado. Deixo um apelo ao movimento: não esqueçam que serão mais fortes se estiverem juntos”.

Qual é o papel das coletividades na sociedade? Esta foi a primeira questão que chegou do público e, para Eduardo Vítor Rodrigues, "é o papel que cada uma quiser ter”, acrescentando: "nos dias de hoje, é tão importante os núcleos de sociabilidade e de proximidade que faz sentido que façamos todos um esforço para reformular e reforçar alguns modelos de funcionamento, mais modernos e que sejam capazes de cativar mais jovens”. Gaia tem um movimento associativo extraordinário e tem "de o saber aproveitar como instrumento de desenvolvimento”, num trabalho de parceria. "Seremos parceiros para que as nossas coletividades tenham um papel central no concelho”, garantiu o presidente.

De que forma podem as associações contribuir para a situação atual e futura? "As nossas associações têm sido capazes de se readaptar. Temos de fazer a nossa parte para contribuir para uma evolução mais ágil e prepararmo-nos para, no final da pandemia, termos todas as adaptações feitas”, respondeu o presidente de um Município que, graças às preocupações transmitidas pela Federação das Coletividades, alocou um pacote de recursos financeiros de apoio ao funcionamento das instituições. Eduardo Vítor Rodrigues avançou ainda que em janeiro a Câmara irá avançar com um apoio de 120 mil euros destinado à reabilitação de infraestruturas.

O presidente da Câmara de Gaia terminou a sessão agradecendo o papel que a Federação tem desenvolvido como interlocutor junto do Município e deixou um apelo a todas as associações: "revejam-se mais na Federação para que esta seja cada vez mais forte e mais representativa dos vossos interesses”.