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Notícias e Destaques 25 Nov 2020 Ambiente: que futuro queremos para a nossa cidade? Filipe Duarte Santos e Serafim Silva participaram nesta sessão


A aposta que a Câmara Municipal de Gaia tem feito nos últimos anos na esfera educativa sublinha, de forma inequívoca, a prioridade concedida à promoção e desenvolvimento de um futuro sustentável. Este futuro faz-se também afirmando, no presente, a necessidade de assegurar que as próximas gerações possam usufruir, com qualidade, dos recursos naturais ao nosso dispor. Garantir o cuidado pela natureza e pelo bem-estar de todos passa por adequar as práticas à necessária proteção do meio ambiente, reduzindo a pegada ecológica em cada uma das nossas ações. E foi sobre estas ações que se falou na terceira sessão da iniciativa «Gaia Somos Todos», dedicada à temática do ambiente. Quais são as prioridades e os desafios para a cidade? Eduardo Vítor Rodrigues, acompanhado por Francisco Saraiva, arquiteto da Câmara de Gaia, procurou responder a alguns dos principais anseios atuais, numa sessão que contou com os inquestionáveis contributos de Filipe Duarte Santos (presidente do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) e Serafim Silva (presidente da Assembleia Geral da Onda Verde).

"Estes debates que começam e terminam online, não terminam quando acabarem estas sessões. Continuam com os nossos serviços totalmente abertos para receberem ao longo destas semanas todos os contributos que entenderem enviar-nos para fortalecer o planeamento da nossa cidade nos próximos anos”, começou por afirmar Eduardo Vítor Rodrigues, que a seu lado contou com Francisco Saraiva, responsável pelo projeto da escola Ciência Viva em Gaia, e Helena Frias, veterinária municipal. "O Município de Gaia tem obrigações muito concretas, em projetos muito específicos, mas é também um Município que tem a obrigação de dar bons exemplos, com boas práticas, nomeadamente no que diz respeito à reabilitação da nossa orla marítima, orla ribeirinha, parques verdes e criação de outros parques de lazer e de fruição. Queremos, ainda, sensibilizar, a partir da educação ambiental, usando os mais jovens, nas escolas, como ‘instrumento’ de sensibilização aos menos jovens”, acrescentou o autarca. Gaia faz o trabalho que lhe compete na limpeza e valorização urbana, mas esta responsabilidade também poderia ser compatibilizada "com mais cidadania de todos”. "Hoje são as máscaras, mas já foram os cigarros, que deixam o nosso espaço público poluído e isso não pode acontecer aqui”, salientou, deixando um agradecimento a todos os serviços que têm feito um trabalho extraordinário na manutenção de um espaço público exemplar. 

Filipe Duarte Santos dedicou a sua intervenção aos desafios hoje associados ao Desenvolvimento Sustentável, a nível nacional e mundial. Trata-se de um conceito relativamente recente, com uma importância crescente. Existem três tipos de objetivos, de natureza social, económica e ambiental. "No aspeto ambiental, a Humanidade está a ter cada vez mais interferência sobre o sistema Terra, ou seja, o nosso Planeta, em todas as suas componentes, seja a atmosfera, os oceanos, os ecossistemas ou toda a biosfera. Todos estes aspetos estão a ser influenciados pela atividade humana, uns em maior escala do que outros”, explicou, exemplificando: "uma das consequências é o número crescente de zoonoses que se tem observado no Mundo”. Trata-se de uma doença infeciosa provocada por um vírus ou bactéria residente num animal e que, fruto do contacto com esse animal, passam para o Homem. A atual pandemia é disso exemplo. Aliás, cerca de três quartos das doenças infeciosas emergentes no Mundo têm origem em zoonoses.

Helena Frias falou do trabalho desenvolvido pelo Centro de Reabilitação Animal de Gaia. "Trata-se de uma estrutura municipal com dupla funcionalidade. Fazemos a recolha de animais errantes, abandonados na via pública, a sua reabilitação física e comportamental e encaminhamento para adoção. Com este trabalho, pretendemos não só a sua reabilitação em termos de saúde e comportamento, mas também promover a sensibilização da população, com o objetivo de, no futuro, não sermos mais necessários. Em breve, iremos para a PATA, com outras valências e melhores condições para realizar as valências atualmente existentes”, partilhou Helena Frias. O trabalho com animais de companhia não pretende apenas promover o seu bem-estar, mas também promover o bem-estar e a saúde das pessoas. "A saúde animal cruza-se com a saúde humana através da profilaxia, da vacinação e dos tratamentos necessários, prevenindo a existência de doenças no Homem”, explicou, referindo-se às zoonoses mencionadas anteriormente por Filipe Duarte Santos.

Francisco Saraiva acredita que este é um tema muito interessante sobretudo no período atual que o Mundo atravessa. Os problemas ambientais não deixaram de existir, apesar das notícias atuais já não se centrarem muito nestas temáticas. "Durante a pandemia, sobretudo no confinamento, todos tivemos a oportunidade de ver uma cidade diferente, com menos poluição, menos ruído. Sentimos os sons da Natureza e quase que nos inspiramos para uma cidade mais saudável, que podemos ter no pós-pandemia. Acredito que podemos aproveitar este momento de grandes alterações nas nossas vidas para implementar outras formas de vivência e alterar comportamentos com vista a uma melhoria do nosso desempenho ambiental”, partilhou o arquiteto.

De que forma a autarquia utiliza os recursos na recuperação dos espaços públicos? Eduardo Vítor Rodrigues respondeu: "os espaços públicos são espaços de todos. Fazemos um esforço enorme na manutenção dos espaços públicos e damos como exemplo uma pergunta que nos foi levantada sobre o alargamento do Parque da Lavandeira. Estamos, neste momento, a fazer a limpeza integral do espaço interior porque ele estava sem uso. Queremos muito que, rapidamente, ele seja utilizado. Mas, de facto, a burocracia do procedimento começou há um ano e meio e só agora podemos dizer que temos a titularidade e estamos a fazer a limpeza”.

A sessão terminou com Serafim Silva, "alguém muito especial pelo trabalho que faz em Vila Nova de Gaia e que é mais do que nosso parceiro na área ambiental, é nosso parceiro nas escolas e no GAIAaprende+”, tal como apresentou Eduardo Vítor Rodrigues. Serafim Silva partilhou o trabalho da associação que representa e o trabalho que, ele próprio, tem feito ao longo dos últimos anos, com um profícuo cruzamento entre o ambiente, as escolas e os mais jovens. Como é que o Planeta pode ser a nossa causa? "A defesa do ambiente deve ser a causa de toda a gente. A pandemia, e os efeitos que tem trazido na sociedade, provocou uma redução da poluição, do desperdício e desenvolveu um novo problema: o uso das máscaras que veio agravar determinado tipo de poluição”. Serafim Silva focou a sua intervenção nos princípios do desenvolvimento sustentável "que o Município de Gaia tem sabido perseguir”. Termo criado em 1983, conceito de Desenvolvimento Sustentável "pretendia mudar os nossos padrões de vida porque se assistia a um consumo desenfreado dos recursos naturais”. Reciclagem e eficiência energética foram outros dos temas abordados. "Temos de gastar menos energia para obtermos um maior conforto”, assegurou o responsável. Também na área da mobilidade, Serafim Silva deixou uma palavra à ação que a autarquia tem desenvolvido: "a Câmara de Gaia tem feito um ótimo trabalho no desenvolvimento de ciclovias e circuitos pedonais para que as pessoas se possam deslocar de uma forma mais sustentável”, concluiu.

A próxima sessão realizar-se-á a 27 de novembro, a partir das 17 horas, com transmissão em direto através do Facebook e do site da Câmara Municipal de Gaia. A sessão será dedicada à ‘Cultura e Desporto’.