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Compreendi
Notícias e Destaques 18 Dez 2020 A importância do reforço do sentimento de pertença José Carlos Mota foi o principal interveniente nesta última sessão
 
Agir pressupõe reflexão. A última de treze sessões do ciclo «Gaia Somos Todos» realizou-se a 18 de dezembro, alicerçada no tema «Identidade local e Espaços de vida». A pandemia lançou um conjunto de desafios aos quais é necessário dar resposta, adaptando ao modelo de desenvolvimento levado a cabo pelo Município de Gaia. É este debate que se tem feito nas últimas semanas. 

O que marca a nossa identidade coletiva? Das instituições às escolas, no caminho da coesão social, "escolhemos um tema que, para muitos, pode ser atípico”, começou por dizer Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia, mas é uma temática "absolutamente central porque não há cidadania se não houver participação, identidade e se não nos sentirmos de Gaia e das nossas freguesias. Uma cidade que tem evoluído como esta, também precisa de manter bem firmes as suas raízes - culturais, associativas -, determinantes para os nossos espaços de vida”, explicou. 


A seu lado, Eduardo Vítor Rodrigues contou com José Carlos Mota, professor da Universidade de Aveiro, cuja presença foi feita numa dupla função: "é a pessoa indicada para nos falar destes temas e também porque nos está a acompanhar numa viagem extraordinária que começámos há pouco tempo e que se prolongará por 2021, que é a revisão do nosso PDM. Bem sei que PDM significa Plano Diretor Municipal, mas estamos a olhar para ele como um Plano de Desenvolvimento Municipal”, evidenciou o presidente. 

Diálogo e proximidade são duas características evidenciadas por José Carlos Mota para descrever o ciclo «Gaia Somos Todos». A capacidade de responder e de dar um sentimento de esperança não é fácil e, por isso, estes momentos são uma "tentativa de narrativa de futuro, de encontrar um caminho que dê alento a todos os gaienses, às instituições que também estão a viver um momento muito difícil”, afirmou José Carlos Mota, para quem o futuro das cidades deve respeitar o passado. O que nos diferencia como povo? "A identidade local deve ser vista como uma ‘condição individual e coletiva de originalidade e singularidade de realidades geográficas físicas e humanas’. Mas é também uma condição de diversidade, em permanente transformação”, explicou o docente. Esta evolução deve ter sempre em perspetiva a capacidade de adaptação à mudança e "Vila Nova de Gaia é um concelho que o sabe fazer”. 

Temos dificuldade de mapear a nossa memória coletiva, um sinal da riqueza de um património. "Ter a capacidade de recolher estas memórias é uma forma de revalorizar o sentido identitário e é algo que nós, no âmbito do PDM, vamos ter um particular cuidado”, avançou o especialista. Estas memórias referem-se a um território físico, mas também as pessoas, as vivências e a forma como se organizam e criam ligações, reforçando o sentido de pertença. "Quando chegamos à Afurada, vemos este sentido da utilização do espaço público, e isso mostra-nos como temos de cuidar desta vida comunitária que é tão rica e importante. Gaia tem o desafio de ter a capacidade de planear esta vida”, evidenciou. Olhar para o futuro e programá-lo é "uma cultura que não temos muito, mas Gaia está a querer trilhá-la de uma forma estrutural, sendo esta a melhor forma de planear o futuro”, concluiu José Carlos Mota.

Do público chegou a primeira questão: a Câmara tem algum projeto que procura ouvir e envolver os cidadãos na construção de espaços públicos? "A Câmara tem feito um esforço para estar de portas abertas. É importante institucionalizar os espaços de discussão e audição de propostas. As reuniões públicas de Câmara são um exemplo, mas temos tentado diversificar no modelo das presidências abertas nas 24 freguesias, com caráter informal, onde o objetivo passava pela interação imediata e aprendizagem com as questões levantadas. Edificámos, ainda, outro projeto marcante sobretudo porque começámos com um projeto piloto, que está a criar a sua própria estrutura e amadurecimento: o «Meu bairro, minha rua», que tem a virtualidade de começar com a desconfiança das pessoas e com a concretização elas pensam ‘afinal, valeu a pena participar’”, respondeu Eduardo Vítor Rodrigues. A identidade de ser de Gaia é uma identidade que se fortalece, recordou o presidente, lembrando a logomarca da cidade, um símbolo diversificado e que procura agregar a identidade coletiva. "Gaia é um concelho diversificado, mas aqui a diversidade é homogeneidade”. 

Todas as reflexões e contributos recolhidos ao longo destas treze sessões vão originar um plano de ação no qual se basearão a atuação municipal e as ações e os investimentos futuros, que será apresentado no primeiro trimestre de 2021.