Política de Cookies

Este site utiliza Cookies. Ao navegar, está a consentir o seu uso. Saiba mais

Compreendi
Devaneios do Campo
Eventos 25 Jul a 30 Set 2026 Devaneios do Campo Auditório Municipal de Gaia
Imagem do evento
Auditório Municipal de Gaia

Alberto apresenta, no Auditório Municipal de Gaia, "Devaneios do Campo", uma seleção de trabalhos de 2025 e 2026, numa exposição que conta com a curadoria de Filipe Rodrigues.

Devaneios do Campo: A Pintura de Alberto
«Na exposição Devaneios do Campo, o jovem pintor Alberto apresenta um conjunto de pinturas (produzidas entre 2025 e 2026) com temas, entre as fronteiras da representação pictórica da paisagem física e da projeção onírica.
As imagens oníricas e a necessidade humana de explicar e descrever os movimentos celestes estão, segundo o pensamento de Epicuro (filósofo grego, 341 – 270 a.C.), na origem da religião. A obra-prima De rerum natura, de Tito Lucrécio Caro (filósofo romano do século I a.C.) está estruturada no Epicurismo patente nos seus seis livros, veneráveis à tradição de tratados gregos sobre a natureza, a natureza da alma e no sentido de atingir a felicidade através da compreensão cosmológica.
Lucrécio é tão fascinante que foi admirado por muitos escritores do início do Império Romano, revelando-se um precursor no uso de palavras que ainda hoje utilizamos e que permanecem entre nós. São motivo de estudo ao longo de séculos conceitos como a ideia de "quase-corpos" ou, então, "simulacros" (simulacra), termos que encontramos em uso, por exemplo, na filosofia de Jean Baudrillard (1929-2007), Gilles Deleuze (1925 – 1995) e, de um modo indireto, em Peter Osborne (1958). Estamos todos impregnados de origens que desconhecemos ou que ocultamos por vaidade e densidade egocêntrica.
Alberto é mais do que isto, não oculta mas revela: sabe da existência de outros "Albertos" e apresenta-se em contraponto com o poeta e pintor Al Berto (1948-1997), oriundo da cidade de Coimbra, e em sintonia com Alberto Caeiro (nascido em Lisboa a 16 de abril de 1889, segundo a biografia heteronímica criada pelo poeta português Fernando Pessoa), que viveu quase toda a sua vida no campo, no Ribatejo, na companhia de uma tia-avó. O nosso Alberto afirma o seu propósito absoluto, quando se refere a Devaneios do Campo, prefere o estado de consciência em que a mente divaga num lugar de eleição, longe do ruído da cidade.
A sua criação artística está longe de ser uma representação meramente bucólica ou naturalista. A pintura de Alberto debruça-se sobre a vastidão interior, elegendo o campo não como um tema geográfico, mas como uma matriz conceptual para investigar a espacialidade, as transformações cromáticas da atmosfera e a desconcertante presença do vazio em correlação com a plenitude.
A espacialidade nestas telas estabelece-se através de horizontes e profundidades movediças. É a terra, somos nós, os espectadores, que encontra a abóbada celeste e a cor do espaço, a qual atua como um elemento que se expande das telas para o nosso pensamento. 
Em obras estruturantes como a trilogia Acima da Flor, o Céu, a densidade matérica da tinta manifesta transições atmosféricas lentas, onde o azul, a luz filtrada ou o prenúncio da noite redefinem as distâncias. O espaço não é um plano estático, ele respira, dilata-se e cria tensões no olhar do observador, para incitar a procurar do infinito que existe para lá do visível. Já nas composições visuais, como Horizonte do Campo e Campo Sonhado, a cor adquire uma vibração fluida, gerando uma atmosfera quase etérea que transforma o espaço pictórico num território puramente psicológico.

O vazio no campo de Alberto não é desolação, mas sim o espaço necessário entre a terra e o cosmos, uma distância pictórica onde a deformação da paisagem se torna revelação poética.
O vazio surge aqui como o grande orquestrador do plano pictórico. Em Deformação do Campo, o espaço contrai-se e distorce-se, comprova que o vazio não é a ausência de elementos, mas sim uma força invisível que molda a paisagem, um "quase-corpos". Este jogo de ocupação e ausência estende-se também à tridimensionalidade na escultura/objeto a óleo Ninfa, onde o espaço circundante é ativamente esculpido e absorvido pela própria peça. O artista recria a escala, a luz e a suspensão da forma para nos lembrar que o verdadeiro campo é aquele que se abre dentro do espectador através do silêncio, da cor pura e da contemplação do absoluto.»
Filipe Rodrigues 

A exposição pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 19h00 e, aos sábados, das 14h00 às 19h00.
Durante o mês de agosto, de terça-feira a sábado, das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30. No dia 15 de agosto, feriado nacional, o Auditório Municipal de Gaia encontra-se encerrado.