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Reserva Natural Local do Estuário do Douro
Esta pequena reserva natural resulta de um acordo celebrado em 2007 entre o Município de Gaia, através do Parque Biológico, e a Administração dos Portos do Douro e Leixões.
A proteção das aves selvagens e da paisagem é o seu principal objetivo. Ao longo do ciclo anual, no estuário do rio Douro observam-se guarda-rios, corvos-marinhos, garças-reais, garças brancas, maçaricos-das-rochas, rolas-do-mar, tarambolas, seixoeiras, gaivotas de diversas espécies, entre muitas outras aves. A baía de São Paio é um local de eleição para fotógrafos da natureza e observadores de aves.
Os visitantes percorrem dois passadiços que terminam em dois observatórios de aves selvagens. Um debruça-se sobre o sapal. O outro permite observar uma vasta área da zona entre marés do estuário do Douro.
Serra da Canelas
Esta serra é um espaço especial para conservação da natureza numa envolvência de educação ambiental, destacando-se a presença de vegetação e fauna autóctone.
Este relevo de cerca de 200 metros de altitude compõe-se essencialmente de um mosaico de habitats diversos, com destaque para os bosques, as formações herbáceas e os habitats rupícolas (rochosos) e ripícolas (água doce).
Em matéria florestal nativa, verifica-se a presença da espécie ex-líbris do carvalhal galaico-português, o carvalho-alvarinho, Quercus orocantabrica. A cobertura florestal autóctone da serra seria composta sobretudo por esta espécie e outras que lhe estão associadas, como o catapereiro ou o sanguinho-de-água. Em solos com mais humidade estão amieiros e salgueiros. A ocupação humana milenar da serra trouxe consigo o cultivo de castanheiros e outras espécies. Ao longo dos trilhos também aparecem sobreiros, próprios de solos mais secos, bem como medronheiros e loureiros. Consegue ver-se na serra a potentilha-dos-montes (Potentilla montana), uma planta com escassa distribuição nacional.
Outros habitats de referência são as formações herbáceas e prados. Na sua maioria próximas de linhas de água e ribeiros, quando se expõem ao sol e, nas estações mais quentes do ano, são pontos de convergência para os insetos polinizadores, para anfíbios, répteis, mamíferos e aves selvagens.
Os próprios habitats de água doce, que juntam charcos, lagoachos, linhas de água, ribeiros e minas do precioso líquido, são outro ponto fulcral desta área. Prestam serviços de grande utilidade como a regulação do ciclo da água, fornecimento de água, refúgio de biodiversidade, informação estética, educação e ciência.
Entre habitats naturais e seminaturais, como os muros rústicos, há ainda os habitats rupícolas (rochosos). Uma das espécies mais fáceis de observar é a sardanisca-de-bocage (Podarcis bocagei) que tem a particularidade de existir, em todo o mundo, apenas no Noroeste da Península Ibérica.
A serra é considerada um espaço de elevada relevância para a conservação da biodiversidade no concelho de Vila Nova de Gaia, estando integrada parcialmente em áreas de salvaguarda da Reserva Ecológica Nacional (REN).
Associa-se a tudo isto uma dimensão histórica e patrimonial relevante. Mais do que um centro de exploração de granito e de agricultura, reserva-lhe o futuro uma meta de lazer e educação ambiental.
O projeto Steps for LIFE salienta a presença de espécies chamadas "guarda-chuva", cujos requisitos de conservação beneficiam indiretamente muitas outras espécies nos mesmos habitats. Este projeto tem em vista aplicar uma valorização educativa de educação ambiental e de conservação da natureza no caminho de Santiago preexistente.