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Compreendi
Notícias 06 Nov 2019 Sophia de Mello Breyner Andresen 06.11.1919 - 06.11.2019
A simplicidade é tão somente o último degrau da sabedoria, da estética, da harmonia.
É há pessoas sábias profundamente simples, que não as hábeis, que não as argutas, que não as informadas…
Pessoas simples singularmente complexas.
Pela sua grandeza e entendimento.
Pela exata perceção do real que as envolve.
Pelo seu fiel apego ao essencial.
Pessoas tão belamente simples que fazem as Ménades dançar como um imenso S.
O S de Sophia. De pessoas como Sophia.

Maria Cirne

Sophia é ainda um constante desafio, um realinhar permanente, uma surpreendente lucidez na clareza e precisão das palavras usadas.
 
Perante Sophia, tomamos-lhe por empréstimo as suas histórias, os seus contos, os seus poemas. Queremos ir ao encontro dos seus espaços, das suas memórias, das casas que habitou. Procuramo-la em quem ela amou, em quem nela deixou parte da alma e sonhos cumpridos. Queremos fazer tábua rasa do tempo. E descobrimo-la nas palavras, nos cantos de lembranças que desassombradamente nos deixou.
 
Intensamente. E no decurso dessa viagem achámo-la no seu chão de chegada, de encontro e de regresso. Houve um dia em que ela se tornou mar, esse mesmo mar que outrora Jan Hinrich percorreu desde a Dinamarca até ao Porto. O mar que o trouxera até aqui como uma estrada. O mar que ficou a navegar no sangue de gerações e que se expandiu sem fim em Sophia, como um milagre só dela.
 
E com ela podemos revisitar esse mar inaugural, subir a foz e percorrer aquele pedaço de rio pontuado de barcos ao longo do cais de Gaia, sob a largueza crescente dos vastos armazéns que se alcantilam nas margens e nas encostas…
 
E sob o signo das suas palavras, patenteamos memórias, relações, afetividades, como a estabelecida - nos tempos idos de seus avós -, com Teixeira Lopes que, em simbologia escultórica, interpretou a grandiosidade de uma vida como ponto de partida geracional para um destino maior.
 
E são ainda as suas palavras que nos guiam a outros espaços tão emblemáticos na sua obra. Continuamente espaços líquidos. E neste contexto, é incontornável a "inquietude, secretamente viva” da Praia da Granja. Disse Sophia que a Granja era o sítio do mundo de que mais gostava. Acreditamos que, pela sua genialidade, Sophia se tornou, ela própria, sinónimo de Mar.
 
Gaia, como património e território que moldou determinantemente a vida e obra de Sophia, presta-lhe homenagem. Fazemos votos que este dia em que se assinala o centenário do nascimento desta grande escritora portuguesa seja um tempo para refletir no talento, na ética, na cidadania, na "pura liberdade” de Sophia…

Nota
A exposição Um Porto a Sophia Andresen, que esteve patente ao público no Arquivo Municipal Sophia de Mello Breyner de 14 de junho a 14 de Setembro do corrente ano, irá ser reaberta no próximo dia 13 de dezembro.

Trata-se de uma mostra documental que evidencia a relação histórica e literária de Sophia de Mello Breyner Andresen com Vila Nova de Gaia, ancorada na ancestralidade familiar e na ligação imanente da sua obra a este concelho.

Saiba mais em https://centenariodesophia.com