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Notícias 14 Set 2019 Ramos-Horta, Rui Marques e Osíris Ferreira em Gaia para debater a missão dos construtores de paz Instituto Padre António Vieira promove filosofia Ubuntu de Nelson Mandela
No âmbito do FIGaia – Fórum Internacional de Gaia, a Biblioteca Municipal de Gaia recebeu, a 13 e 14 de Setembro, a conferência «E depois do conflito – A missão dos construtores de paz». Promovida pela Academia de Líderes Ubuntu – projeto do Instituto Padre António Vieira (IPAV), com o apoio da Câmara Municipal de Gaia, a iniciativa teve como objetivo abordar os processos de reconciliação em países que já viveram a experiência de justiça transicional, como África do Sul, Timor-Leste, Costa do Marfim, Irlanda e Reino Unido, e em países que estão a iniciar este processo, como Colômbia, Guiné-Bissau, e Tunísia.

A Academia de Líderes Ubuntu assume o exemplo da liderança servidora de Nelson Mandela e a importância da construção de pontes para a paz. Esta sessão reuniu Rui Marques, presidente do IPAV, e convidados de relevo internacional como Ramos Horta, político e jurista, ex-presidente de Timor-Leste e atual presidente do Painel Independente de Alto Nível para as Operações de Paz da ONU; Osíris Ferreira, juiz do Supremo Tribunal da Guiné-Bissau e secretário da Comissão Organizadora da Conferência Nacional (COCN), nomeado pela Assembleia Nacional Popular com o mandato de preparar o processo de reconciliação nacional; entre outros.

O Nobel da Paz, José Ramos-Horta, defendeu, na sua intervenção que a luta pelos direitos e pela justiça "não se vence com ideologias, dogmas ou extremismos”, mas sim "utilizando a cabeça”. "Os grandes processos da paz não têm uma linha reta, há desafios pelo caminho. Não podem existir dogmas. Eu digo sempre, lutamos pela justiça, lutamos pela democracia, pelos direitos humanos, pelas nossas convicções, mas usamos também a cabeça", afirmou José Ramos-Horta. 

Esta conferência teve, ainda, como objetivo alertar para a necessidade de criar uma cultura de pontes e capacitar um número crescente de construtores dessas pontes – pessoais, territoriais, geracionais, culturais, civilizacionais –, que ajudem no caminho de um mundo mais coeso e solidário, mais digno e mais humano. A construção de pontes está intimamente ligada ao que de mais profundo a filosofia Ubuntu defende, pela capacidade de ligar margens nem sempre próximas e de se deixar transformar com essa ligação, como condição essencial para a cooperação inspirada por Nelson Mandela.