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Notícias 04 Out 2018 Existirá um mercado do conhecimento? As respostas foram discutidas em Gaia Iniciativa contou com a presença do ministro Manuel Heitor
Existe um mercado do conhecimento? As universidades estão a conseguir acompanhar as exigências e os desafios? Em parceria com o Jornal de Notícias, a Câmara Municipal realizou, a 4 de Outubro, no Auditório Municipal, a VI Conferência de Gaia. Foi um espaço de debate, pensamento, conhecimento e ação, com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, que ouvir algumas das preocupações e expectativas dos responsáveis por quatro das universidades mais prestigiadas do país.

Mais autonomia para as universidades. Esta foi a principal mensagem deixada pelo Porto (vice-reitora, Maria de Lurdes Fernandes), Aveiro (reitor, Paulo Jorge Ferreiro), Trás-os-Montes e Alto Douro (reitor, Fontainhas Fernandes) e Universidade do Minho (reitor, Rui Vieira de Castro). Acreditando que estão a ser prejudicados por questões ligadas à burocracia, os reitores defenderam que já deram provas de boa gestão e de que são capazes de fazer mais e melhor, sendo apenas necessário que a tutela dê mais "margem de manobra às universidades”. "O financiamento público não paga sequer os salários. Temos de ter interacção com o tecido produtivo para obter receitas próprias e, para isso, é fundamental termos mais autonomia e menos confusão burocrática”, afirmou Fontainhas Fernandes, que é também presidente do Conselho de Reitores. Esta é uma ideia partilhada pela vice-reitora da Universidade do Porto: "temos provado que somos rigorosos e que devemos merecer a confiança para gerir os nossos saldos, sem constrangimentos de empresas públicas e cativações”. Embora perceba as dificuldades vividas pelo país, Rui Vieira de Castro acredita que é premente procurar por outros meios os recursos necessários para que as universidades cumpram as suas missões. E de que missões podemos falar? "As universidades têm uma missão complexa que assenta num bem essencial e cada vez mais valioso que é o conhecimento e que tem de ser assumido como um bem público”, salientou o reitor da Universidade do Minho. Perante algumas ideias apresentadas, Paulo Jorge Ferreira não esconde alguma surpresa. "Dada a escassez dos recursos, ainda me espanto por estarmos onde estamos nos rankings internacionais” e, em consonância com isso, é necessário que exista um ponto de equilíbrio "entre estar no topo da muralha, completamente isolado do Mundo, ou ser uma estação de serviço que apenas serve as necessidades do dia de hoje”, concluiu.

Manuel Heitor, por sua vez, em resposta às dicas e recomendações deixadas pelos reitores, mostrou-se confiante na força do mercado do conhecimento. "O conhecimento internacional leva-nos cada vez mais a associarmos o mercado do conhecimento à produção de mais e melhor emprego”. Também Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia e professor universitário de carreira, acredita nesta associação entre o conhecimento e o emprego mas salientou a importância "das ciências sociais e humanas na era do produtivismo”, apelando ao diálogo e ao debate "multidimensional e multi-instrumentista”. 

As Conferências de Gaia têm como objetivo contribuir para a reflexão estratégica sobre o posicionamento e a competitividade da região Norte no contexto europeu. São abordadas questões políticas, sociais e económicas de forma transdisciplinar, ambicionando-se, desta forma, criar um espaço de pensamento, conhecimento e ação que envolva os diferentes agentes institucionais.