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Notícias 06 Abr 2018 Cerimónia reforçou notório desempenho de Gaia no ranking da Bloom Consulting Gaia foi distinguida com a «Marca Estrela Nacional», «Marca Estrela de Negócios» e «3º Município Região Norte»
No decorrer das cinco edições do Bloom Consulting Portugal City Brand Ranking© – estudo que avalia a performance e a atratividade dos 308 municípios portugueses –, Vila Nova de Gaia apresentou sempre uma das subidas mais significativas, tornando-se cada vez mais uma referência a nível nacional e regional. Gaia passou da 34.ª posição (em 2014) para a 9.ª (em 2018), entrando este ano, pela primeira vez, no top 10 nacional e validando o trabalho que tem sido desenvolvido. Para assinalar estas distinções, realizou-se, no dia 6 de Abril, no Auditório Municipal de Gaia, uma cerimónia que juntou no palco representantes de empresas e instituições de reconhecido mérito nacional, algumas delas a operar neste concelho. Ao longo das conversas moderadas pela jornalista Patrícia Matos, os oradores partilharam com a audiência as suas experiências profissionais e opiniões sobre os desafios inerentes a estes reconhecimentos. 

Das potencialidades globais das marcas e dos territórios às especificidades e características de Gaia enquanto município capaz de captar o interesse de investidores e de turistas, a cerimónia culminou com a entrega dos prémios por parte de Filipe Roquette, da Bloom Consulting Portugal, a Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal. O ranking em questão mediu os resultados e o impacto da marca de todos os municípios portugueses nas áreas de turismo (visitar), investimento e exportações (negócios) e talento (viver). Por isso, para Filipe Roquette, "a marca estrela nacional – que Gaia recebeu – mostra o desempenho extraordinário que o município tem tido. Nós trabalhamos com cidades um pouco por todo o Mundo e Gaia tem tido um excelente trabalho que se reflete nestes resultados. São dados científicos e não inquéritos de opinião. É a dinâmica efetiva que a marca tem a comunicar com três públicos alvo: negócios, turismo e talento”. 

Por sua vez, Eduardo Vítor Rodrigues acredita que este reconhecimento não nasce do seu trabalho, mas do esforço de uma equipa muito complexa. "Temos uma equipa extraordinária, motivada e que acredita no que faz, dentro de um clima económico positivo. Se me pedissem para projetar Vila Nova de Gaia, gostaria de projetar um concelho onde os cidadãos tivessem um enorme orgulho de dizer que são de Gaia. Isso irá acontecer quando estivermos em Lisboa ou no Algarve e nos perguntarem de onde somos. Aí diremos que somos de Gaia e não do Porto ou de Avintes”, defendeu o autarca, que tem a plena tranquilidade de que o desenvolvimento do concelho não começou consigo. "Encaro estes resultados com a naturalidade de quem não iniciou um ciclo na história. Nós não viemos iniciar a civilização. Tenho tranquilidade para dizer que há coisas que são do meu tempo, outras não”, garantiu.  

Dirigindo-se em concreto aos oradores, Eduardo Vítor Rodrigues descreveu-os como "embaixadores de Gaia”. "Nós precisamos muito de pessoas que acreditam no que fazem, gostam e não perdem de vista a sua dimensão territorial. Nós estamos convosco e queremos que se sintam motivados”, afirmou.

Marcas e territórios
Para Carlos Brito, pró-reitor da Universidade do Porto (Inovação e Empreendedorismo), "a força de uma marca territorial não se faz apenas pelo trabalho do município em si, mas pelo trabalho de todos os agentes. Neste sentido, aqui temos, fundamentalmente, três públicos: os que cá vivem e trabalham, os que fazem e investem e, por fim, os visitantes e turistas”, defendeu. Em consequência disso, Sara Balonas, professora no Departamento de Comunicação da Universidade do Minho, acredita que esta distinção deve ser encarada, essencialmente, como uma oportunidade para o território. "Em comunicação, o importante é construir confiança entre pessoas, entidades e investidores. Importa, por isso, transformar essa confiança em mais atratividade para gerar mais poder de fixação. Esta é a oportunidade para criar a singularidade de um lugar”, explicou.

Ao longo das intervenções foi, ainda, notória a relação entre as distinções recebidas e a influência que a Marca de Gaia tem conquistado. Para Catarina Selada, head of city lab do CEiiA, "a marca de Gaia exprime os seus valores identitários, uma cultura, uma história e uma tradição, mas é uma marca que exprime também uma visão de futuro e de forte liderança política, partilhada com a comunidade. Por isso, não é só um símbolo. É uma marca que está ancorada numa estratégia e numa agenda”. Esta ideia foi aprofundada ao longo do segundo painel de intervenções, com Pedro Abrunhosa, músico e proprietário da Boom Studios, a defender a associação entre o músculo de uma marca e o imaginário que lhe está inerente. "Este imaginário é o somatório de uma série de vertentes que Gaia possui. É um dos maiores municípios do país, é uma cidade rural e uma rural cidade, e é uma cidade costeira. O potencial de Gaia é brutal”, evidenciou. 

Vítor Tito, da empresa BBZ – responsável pela criação da marca de Gaia –, recuou no tempo, partilhando algumas histórias que se destacaram ao longo deste processo. "A marca de Gaia não é o resultado de uma política de gestão de marca, mas é uma questão de marca de uma política. O que foi notável na criação desta marca foi o processo, que envolveu a comunidade. A primeira fase não foi construída para agradar aos turistas nem para ser projetada lá fora, mas sim para criar um tronco identitário para a população. Hoje, o resultado e o sucesso da marca de Gaia são partilhados por todos”, evidenciou Vítor Tito, para quem estes prémios são um grande motivo de orgulho e "aumentam nas pessoas o sentido de pertença”. 

Porquê Gaia?
O Cantinho das Aromáticas, La Perla, Boom Studios e Grupo Salvador Caetano. Em comum, além de serem empresas consolidadas no mercado, o facto de terem escolhido Gaia para se instalarem. Porquê? Luís Alves, do Cantinho das Aromáticas, começou por responder: "Gaia tem condições de solo incríveis para fazer agricultura. O município é muito grande e ainda existe uma ampla ruralidade. Além disso, Gaia tem um clima de influência atlântica e a relação com o mar e com o rio faz com que seja um dos sítios de eleição para produção de alimento”. 

Presente em Gaia há cerca de três décadas, o grupo La Perla, pela voz do seu gerente, António Pimentel, ressalvou o facto de existir uma forte disponibilidade das pessoas para trabalhar. Por outro lado, "grande parte dos nossos colaboradores consegue trabalhar e viver na cidade. Temos todos os serviços perto de nós. Podemos ir à mercearia, ao café, ao quiosque ou à farmácia e tiramos partido dos recursos da cidade. No fundo, trabalhamos integrados no meio urbano”. 

Para o grupo Salvador Caetano, a sua identidade prende-se, em grande medida, com a sua terra de origem, tal como salientou Paula Arriscado, diretora do Departamento de Comunicação e Marketing. "A matriz identitária do grupo tem dois territórios: o geográfico (onde o grupo nasceu) e o humano (aqui nasceu o fundador). O nosso fundador tinha um orgulho tremendo por ser de Gaia”, referiu, fazendo alusão a um dos grandes lemas desta estrutura: "somos Caetano, uma família, de Gaia para o Mundo”.