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Notícias 25 Mai 2017 5.ª Conferência de Gaia debateu «O Caminho Português de Santiago» Iniciativa decorreu no Mosteiro de Grijó, local por onde passam muitos peregrinos

Na 5.ª edição das Conferências de Gaia, uma iniciativa realizada em parceria entre a Câmara Municipal de Gaia e o Jornal de Notícias, debateu-se o estado atual e os desafios para o futuro daquele que é «O Caminho Português de Santiago». O Mosteiro de Grijó acolheu, no dia 25 de Maio, dezenas de pessoas interessadas em conhecer mais aprofundadamente esta temática, absorvendo o conhecimento e as experiências de um painel diversificado de oradores.
David Pontes, subdiretor do Jornal de Notícias, começou por relembrar que este tema não poderia ter vindo em melhor altura, uma vez que nos primeiros cinco meses deste ano registou-se um aumento recorde de 20% no número de peregrinações.
Embora o balanço seja bastante positivo, Ricardo Rio, presidente do Eixo Atlântico, destacou a "desproporção muito significativa do caminho português em relação ao francês”, acreditando que o primeiro deveria ter uma maior projeção internacional. Para o também presidente da Câmara Municipal de Braga, o envolvimento do Governo português na valorização do Caminho Português de Santiago deveria ser feito com "passos mais assertivos”. O responsável do Eixo Atlântico referiu ainda que "vários municípios e outras instituições tentaram apropriar-se do caminho e tomá-lo como seu sem um esforço mais alargado”. Contudo, acrescenta que "tem de haver alguma materialização na concertação”.
Posteriormente, foi apresentado o «Estudo dos traçados do Caminho Português de Santiago no Norte de Portugal», pela voz de Ana Ladeiras, consultora da Around Europe Advisors. Trata-se de um trabalho que tem como objetivo "avaliar as necessidades dos diferentes percursos”. Entre várias conclusões, destaca-se a necessidade de uma uniformização e renovação da sinalética dos caminhos para evitar que os peregrinos fiquem confusos ao longo do percurso. A possível candidatura do Caminho Português a Património Mundial da UNESCO foi outro dos temas em análise, pelo arquiteto Rui Loza, que acredita que o caminho deve ser apresentado como um alargamento do Caminho Francês. O autor do «Estudo de Viabilidade da Candidatura da UNESCO do Caminho Português de Santiago» acredita que este não é um "assunto só do norte de Portugal ou da Galiza”, defendendo que "a candidatura à UNESCO deve ser de Portugal e de Espanha”. Na sua intervenção, Xoan Mao, secretário-geral do Eixo Atlântico, considerou que o nosso país tem "uma mina de ouro e não sabe”, acreditando que o Caminho Português de Santiago "coloca o país no contexto mundial”.
A conferência prosseguiu com intervenções de Rafael Sánchez Bargiela (diretor Xerente da S.A. de Xestión do Plan Xacobeo), Diogo Mateus (presidente da Associação dos Caminhos de Fátima) e António Coelho de Oliveira (vigário geral da Diocese do Porto e Pároco de Grijó).
O encerramento foi da responsabilidade de Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia, e D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto. Em jeito de balanço, Eduardo Vítor Rodrigues garantiu que o que se retira desta conferência é que existe uma necessidade premente de "aglutinar energias porque há muito trabalho individual, muitas vezes de conflito, e pretendemos que este caminho tenha um fator de unidade entre todos os agentes, da Igreja, da sociedade civil e das autarquias, que possam envolver-se para valorizar este projeto”. D. António Francisco dos Santos, por sua vez, afirmou que a 5.ª Conferência de Gaia conseguiu "reunir o Norte de Portugal com a Galiza porque o tema dos Caminhos de Santiago é algo que nos une, nos aproxima e nos mobiliza a todos”.