Notícias 05 Abr 2017 2.ª Bienal Internacional de Arte Gaia 2017 lança reflexão sobre problemas sociais Iniciativa decorrerá de 8 de Julho a 30 de setembro
Desemprego, preconceito associado à homossexualidade, sem-abrigo, guerra ou desigualdades sociais. A 2.ª Bienal Internacional de Arte Gaia 2017, apresentada a 5 de abril, no Centro Empresarial Fercopor, pretende ser um centro agregador de problemas sociais muito atuais. Esta ideia foi transmitida por Agostinho Santos, diretor da Cooperativa Cultural – Artistas de Gaia, na cerimónia de lançamento da iniciativa que contou com a presença do Vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia, Patrocínio Azevedo, e do presidente da Direção Regional de Cultura do Norte, António Ponte.

Ultrapassando os limites que caracterizam a tradicional «Bienal de Arte», esta edição pretende, acima de tudo, ser uma «Bienal de Causas», lançando as linhas para uma profunda reflexão e agitando consciências, tal como define Agostinho Santos. "A Bienal Internacional de Arte de Gaia preocupa-se com os outros e desafia os seus artistas a interessarem-se por temas que estão à nossa volta. É uma Bienal humanista e solidária”, disse. Essa preocupação será materializada num conjunto de exposições em que o desafio lançado aos artistas consiste em transpor estes temas para as suas formas de arte, nomeadamente escultura, pintura, desenho, fotografia, entre outros.

Ao contrário do que aconteceu na primeira edição, este ano vai ser possível congregar no mesmo espaço (Centro Empresarial Fercopor) a maioria das exposições. "O público que quiser conhecer a Bienal de Arte vai ter a possibilidade de ver todas exposições no mesmo espaço, o que facilitará o diálogo entre o artista e o visitante”, explicou Agostinho Santos. Graças ao empenho do Município de Gaia e à aposta que tem sido feita na captação de atividade económica para o concelho, foi possível transformar um espaço devoluto num centro empresarial que, fazendo jus à dinâmica do local, acolherá a próxima edição da Bienal, entre os dias 8 de julho e 30 de setembro e irá homenagear Graça Morais e Guilherme Camarinha.



Depois do sucesso da primeira edição, este ano a iniciativa pretende surpreender ainda mais. Assim, contará com uma exposição de cadernos de desenho do Padre Nuno Branco. Trata-se de uma série de desenhos inspirados no filme de Martin Scorsese, «Silêncio», que retrata a perseguição aos cristãos no Japão do século XVII. O padre jesuíta Nuno Branco aceitou o convite da NOS Audiovisuais e juntou-se à japonesa Kumi Matsukawa para criar um trailer exclusivo para Portugal.

Para Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, esta edição vai procurar ir ao encontro dos cidadãos. "Não basta fazer exposições e assumir conceitos. É preciso aproveitar a oportunidade para criar públicos porque a Bienal também procura educar para a arte e para a cultura. Vila Nova de Gaia tem história e tem tradição, perpetuada por grandes nomes do panorama nacional e internacional e este evento tem a obrigação de afirmar essa componente e criar novos nomes”, afirmou. Por sua vez, Patrocínio Azevedo, vice-presidente da autarquia, considerou esta apresentação um "momento histórico para Gaia”, acrescentando que esta é uma Bienal em rede: "de Gaia para a região, de Gaia para o país, de Gaia para o Mundo”.

Com uma passado forte ligado à escultura, à cerâmica ou à arte do bronze, Vila Nova de Gaia assume-se como uma cidade de artistas e, por isso, a 2.ª Bienal Internacional procurará afirmar, não apenas a importância da arte numa cidade da cultura, mas também um elemento de reflexão sobre a sociedade e os problemas atuais. A iniciativa é organizada pelos Artistas de Gaia – Cooperativa Cultural, com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Nesta cerimónia foi ainda assinado o protocolo de colaboração entre estas duas entidades, através do qual a Câmara Municipal disponibiliza 80 mil euros para apoiar na organização do evento.