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Eventos 08 Dez 2018 a 06 Jan 2019 Exposição de Presépios - Natal na Casa-Museu Casa-Museu Teixeira Lopes/Galerias Diogo de Macedo
Exposição de Presépios – É Natal na Casa-Museu

A Casa-Museu Teixeira Lopes/Galerias Diogo de Macedo abre ao público, no dia 8 de dezembro, uma exposição de presépios, composta pelas coleções do Mestre António Teixeira Lopes e de Diogo de Macedo a que se juntaram obras de diversas instituições nacionais, entre elas uma pintura a óleo do menino Jesus, da autoria de Josefa de Óbidos. A inauguração está marcada para as 16h30, com um momento musical pelo coro infantil da Academia de Música de Vilar do Paraíso, seguida de visita à exposição, com atuação do Quarteto de Cordas do Conservatório Regional de Gaia. A exposição fica patente ao público até 6 de janeiro, podendo ser visitada de terça-feira a domingo, das 9h30 às 12h00 e das 14h00 às 17h00. 

A partir de um núcleo composto pelas coleções de presépios de Teixeira Lopes e de Diogo de Macedo, cuja curadoria esteve a cargo do Historiador de Arte Alexandre Pais, esta exposição engloba exemplares da arte presepista, gentilmente cedidos por instituições de referência (Museu Nacional de Arte Antiga, Museu Nacional Soares dos Reis, etc.) produzidos em diferentes regiões do país, com inspirações diversas e de diferentes épocas, desde o séc. XVII até à atualidade, dando a conhecer a multiplicidade de cores e texturas que nasceram da imaginação de artistas e artesãos. 

Nesta exposição, peças de António Ferreira e do Laboratório Joaquim Machado de Castro, reconhecidos barristas portugueses do séc. XVIII, convivem com criações de alguns dos nomes maiores do artesanato português, como Rosa Ramalho, demonstrando assim, como a representação do nascimento de Jesus evoluiu ao longo dos tempos, das igrejas e palácios para as casas, do erudito para o popular, sendo recriada vezes sem conta, ao longo dos tempos e nas diversas geografias. De resto, o próprio Diogo de Macedo não criava distinções entre os renomados barristas e os artesãos, com abordagens mais naïf, afirmando que estes criaram "obras dignas de espanto pela sua interpretação espiritual, como as daqueles com a sua sabedoria expressional”.  

O Município de Gaia, através do Pelouro da Cultura, assinala, assim, a época natalícia em que entramos, não perdendo de vista o esforço constante de preservação, divulgação e valorização do nosso património cultural material e imaterial, dando, neste caso, relevo à arte presepista, uma atividade que, de acordo com algumas opiniões, pode estar em crise. A fim de sensibilizar os mais novos para este universo de beleza e magia, estão já a ser agendadas visitas de escolas e atividades lúdicas, dirigidas à comunidade escolar. Assumiu claro ênfase, na organização desta exposição, o contacto e a colaboração com diversas instituições culturais, e o fomento do trabalho em rede, para uma maior eficácia da gestão cultural. 

O gosto pela arte presepista de Teixeira Lopes parece ter nascido por influência de seu pai, José Joaquim Teixeira Lopes, ele próprio barrista, e criador de figuras de presépio. Já Diogo de Macedo deixou bem claro o seu apreço por esta manifestação artística no seu livro "Em redor dos Presépios Portugueses”. Nesta obra de 1940, o artista destacava a qualidade da produção presepista portuguesa do séc. XVIII, lançando avisos para a necessidade de salvaguarda deste património. Ao longo das suas vidas, Teixeira Lopes e Diogo de Macedo reuniram um conjunto valioso de natividades e figuras de presépio, resgatando-as de futuro incerto. Esta exposição pretende dar a conhecer este tesouro, valorizando-o por contraponto com elementos de outras coleções, igualmente valiosas. 

"Jesus, que nasceu em paupérrimo sítio para dar aos homens a mais lúcida lição de humildade, e que de longe fez vir os reis e os pastores a festeja-lo com o mesmo deslumbramento de adoração, tanto acolheu a uns como a outros com o seu sublime sorriso, como depois tanto aceitou a arte dos fortes como dos humildes, desde que à fé que a inspirou fosse igual para sentirem a beleza daquele ato de puríssima majestade num quadro de modesto interior”. 
Diogo de Macedo, in Revista Ocidente, A arte popular e o natal, 1941

Colaboração: Palácio de Queluz; Museu Nacional de Arte Antiga; Museu Nacional do Azulejo Museu Nacional Soares dos Reis; Museu de Artes Decorativas (Fundação Ricardo E.S. Silva); Diocese de Portalegre-Castelo Branco (Coleção Rui Sequeira); Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha; Museu de Olaria de Barcelos; Irmãos Baraça (artesãos); Irmãos Mistério (artesãos).

A origem da tradição de representar a cena da natividade é geralmente atribuída a S. Francisco de Assis que, em meados do séc. XIII terá solicitado autorização ao Sumo Pontífice para levar a cabo um quadro vivo do presépio, segundo a narração do Evangelho de S. Lucas. No entanto, parecem existir evidências de que já no séc. XI se realizavam representações da natividade em argila ou terracota, na Igreja de Santa Maria de Nápoles, cidade que impulsionou a arte presepista, ajudando à sua popularidade, disseminando-a por toda a Europa e depois pelo mundo.